A pessoa humana tem gravada no seu interior a necessidade de ser conhecida e amada, de conhecer e amar outros. Necessitamos de que os outros nos conheçam, nos compreendam, nos aceitem e nos amem. E necessitamos conhecer, compreender e amar os outros. A pessoa humana está feita para este diálogo com outras pessoas. Mas há diversos tipos de amor: por exemplo, o amor entre pais e filhos e o amor da amizade entre amigos são amores diferentes. Há coisas que se contam aos país e há outras que se contam aos amigos. Necessitamos do carinho dos nossos pais para umas coisas e do dos nossos amigos para outras. Mas não basta essa amizade. A pessoa humana necessita entregar-se, dar-se a conhecer e amar de uma maneira mais profunda, total. Isso só é possível entre um homem e uma mulher, ou entre uma pessoa e Deus.
Esse amor total inclui a pessoa toda, tanto a sua alma como o seu corpo. Nesse amor, uma pessoa pode dizer e exprimir tudo, até o mais íntimo, porque o outro vai compreendê-la e aceitá-la tal como é. Há uma confiança absoluta que permite e exige que se abra totalmente e requer também receber do outro com essa absoluta confiança, tal e como é. Isto é o que se chama amor conjugal.
Aqui intervém também o corpo, porque intervém toda a pessoa. (…) Entregam-se um ao outro completamente, alma e corpo, por isso o corpo joga um papel essencial. É o amor conjugal.

(Mikel Gotzon Santamaría Garai, in Saber Amar com o Corpo)