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A criança aos 6 e 7 anos

 

1. Desenvolvimento psicológico

1.1. É o centro do seu próprio universo. Egocêntrica.


1.2. Sabe tudo e quer tudo; e quer fazer tudo à sua maneira.


1.3. É dominadora, obstinada e agressiva.

1.4. Emocionalmente é excitável e desafiadora.


1.5. Eticamente é pouco apta, devido à sua fase evolutiva, que lhe imprime a tentação de enganar, o que é mais notório no campo dos jogos.

1.6. Aceita a culpa com mais facilidade em coisas grandes do que pequenas.

1.7. Anseia o elogio e a aprovação

1.8. Reage lenta ou negativamente quanto a uma ordem, mas passado um bocado talvez a ponha em prática espontaneamente, como se se tratasse de ideia sua.


1.9. Possui dificuldade para decidir, vacila entre duas possibilidades.


1.10. Gosta de possuir grande numero de coisas mas não as cuida.


1.11. Possui um débil sentido da propriedade alheia, de modo que pega no que vê e deseja, independentemente de quem seja o proprietário.

1.12. Tem certa irresponsabilidade.

1.13. Está em plena adaptação a dois mundos: o de sua casa que lhe exige novas responsabilidades e o do colégio com todas as suas estruturas,. regras, etc.


1.15. Começa a ver-se e a conhecer-se a si própria; assim firma as bases para a sua autovalorização que culminará e amadurecerá nos 7 e 8 anos.


1.16. Capta mais coisas do que o que na realidade pode manejar.


1.17. Toca, mexe e explora todos os materiais.


1.18. As suas manifestações tensionais ou descargas chegam por vezes a um ponto limite, chegando por vezes a criança a perder o controlo.
1.19. Além destas manifestações limites, dão-se também descargas de energia por outras vias: agitação, roer as unhas, etc..

1.20. Deseja e precisa de ser a primeira, a mais querida.


1.21. Agrada-lhe contar histórias exageradas.


1.22. Dá verdadeiro interesse ao valor do dinheiro, como ganho e recompensa.


1.23. Tem medo dos ruídos, essencialmente aos elementos da natureza (chuva, trovão) assim como aos seres humanos e fantasmas.

1.24. Adora o elogio e não tolera a crítica.

1.25. Tem noção do bom e do mau, mas rudimentar, pois a relaciona ainda muito com actividades aprovadas ou desaprovadas pelos pais.


1.26. É extremamente dominante em relação às coisas que lhe pertencem.




2. Âmbito escolar

2.1. Gosta do professor e quer agradar-lhe. Quer o seu elogio, a sua atenção e ajuda.


2.2. Instintivamente, identifica-se com tudo o que sucede e está à sua volta, pelo que está capacitada para interiorizar novos conhecimentos e novas experiências pessoais e culturais.


2.3. A mentalidade comum dos 6 anos não está ainda preparada para uma instrução formal da leitura, escrita e aritmética. Só é possível tornar vivos estes capítulos associando-os com experiências vitais.


2.4. Os seus desenhos espontâneos são mais realistas. Capta o simples e o primitivo da natureza (casa, árvore, etc.).


2.5. Começa nela o processo de se cultivar. Já não se limita a reproduzir a cultura, mas faz uma nova apreciação de si mesma e reorganiza-se em relação a esta cultura.


2.6. Deseja seriamente estudar, apesar dos seus altos e baixos.


7 ANOS


3. Desenvolvimento psicológico

3.1. É mais consciente de si própria e está mais absorvida em si mesma. Aparenta viver "noutro mundo". Parece não ouvir o que se lhe manda. Está a tomar-se introvertida.


3.2. Desenvolve-se nela o sentido ético (distinção entre o bem e o mal), já não só nela, mas também nos outros.


3.3. Concretiza e interioriza mais a sua estrutura de espaço e tempo.


3.4. Medita mais antes de actuar pois é mais prudente, mais deliberativa (não medrosa).

3.5. Costuma aguentar o choro.

3.6. É sensível ao elogio e à crítica. Não sabe aceitar cumprimentos e não se tranquiliza quando é elogiada.


3.7. Anseia por agradar; tem consideração pelos outros.

3.8. Tem conduta menos agressiva. Poucos acessos de cólera e menos oposição às ordens.

3.9. Teme as situações novas que lhe costumam aparecer na escola.

3.10. Tem menos pesadelos. É a figura central dos seus sonhos.

3.11. Aumenta o interesse pelo dinheiro, e muitas pensam em economizar.




4. Âmbito escolar

4.1. Quer responsabilidade, especialmente na escola, mas preocupa-se com a ideia de não poder portar-se correctamente.


4.2. Deseja acabar uma tarefa já começada, mas não repara na sua capacidade para o fazer. Tem tendência a esperar muito dela própria.


4.3. É boa ouvinte; centrou a sua atenção pelo que está aberta a novos conhecimentos.


4.4. Preocupa-a a ideia de chegar tarde à escola e de não acabar os seus trabalhos.

4.5. Precisa duma palavra do professor para começar a mais simples tarefa.


4.6. Exige com impaciência a atenção e ajuda do professor.

4.7. Tende a procurar carinho no professor

4.8. Tem no mundo do colégio o mundo dos seus amigos.




5. Atitude das pessoas que a rodeiam e a formam

5.1. A mãe deve reconhecer e compreender o carácter passageiro desta conduta tão extremosa e agressiva da criança de 6 e 7 anos; deste modo a criança tomar-se-á mais dócil. O castigo nestes momentos não serve de nada. A criança terá com isto um arrependimento momentâneo mas a sua conduta não melhorara.


5.2. É uma criança que precisa de afecto e carinho constante: e está uma fase de ajustamento pessoal e social e todo o ajustamento leva implícito uma crise. E agora que o pai desempenha um papel importante: deve preocupar-se com ele, pedir-lhe ajuda em tarefas simples; viverem juntos os momentos de ócio, etc..


5.3. É também importante o papel do professor, que não substitui nem pouco mais ou menos a mãe, mas reforça, com um sentimento de maior segurança.


5.4. Há que dar-lhe responsabilidades de acordo com as suas possibilidades.

5.5. É necessária uma relação mútua e forte entre a família e a escola, sobretudo nesta idade.

5.6. É conveniente que pais e professor mantenham uma relação estreita, para conhecer o comportamento na escola.

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«A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar.» (Henry Peter)