Educação: Contos educativos

Uma colecção de contos educativos: pequenas histórias das quais se pode tirar uma lição. Estas histórias são sempre muito úteis porque educam através do exemplo. Em vez de escutarmos uma teoria ou um conselho, encontramo-nos com comportamentos que podem ser luminosos para nós ou, pelo contrário, inspirar-nos repulsa e fazendo-nos apreciar o comportamento oposto.


Livro fechado

Era uma vez um livro. Um livro fechado. Tristemente fechado. Irremediavelmente fechado.
Nunca ninguém o abrira, nem sequer para ler as primeiras linhas da primeira página das muitas que o livro tinha para oferecer.
Quem o comprara trouxera-o para casa e, provavelmente insensível ao que o livro valia, ao que o livro continha, enfiara-o numa prateleira, ao lado de muitos outros.
Ali estava. Ali ficou.
Um dia, mais não podendo, queixou-se:
— Ninguém me leu. Ninguém me liga.
Ao lado, um colega disse:
— Desconfio que, nesta estante, haverá muitos outros como tu.
— É o teu caso? — perguntou, ansiosamente, o livro que nunca tinha sido aberto.
— Por sinal, não — esclareceu o colega, um respeitável calhamaço. — Estou todo sublinhado. Fui lido e relido. Sou um livro de estudo.

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O homem de barbas azuis

Estava um lenhador sentado, junto à margem de um rio, de queixo nos joelhos, muito triste, quando por ele passou um homem de barbas azuis.
Um homem de barbas azuis? Como pode ser isso? Pode, pois.
Nas histórias tudo pode acontecer. Então, era um feiticeiro?
Talvez fosse. Continuam a aparecer nas histórias. Uns de barbas encarnadas, outros de barbas verdes… Este tinha-as azuis, que mal há nisso?
O lenhador nem reparou na cor das barbas do homem. Estava tão desolado, a olhar para o rio, que tudo o mais lhe era indiferente.
– Aconteceu-lhe alguma desgraça? – perguntou o homem de barbas azuis, numa voz que parecia de pessoa bondosa.
– Uma grande desgraça – respondeu o lenhador. – Estava a dormitar, cansado do trabalho, ao fresco da beira-rio, quando o machado me escorregou. Foi para o fundo e eu, que não sei nadar, não tendo machado, fico um inútil.
– Deixe que eu trato disso – tranquilizou-o o homem de barbas azuis, despindo a camisa e as calças e tirando meias e sapatos.

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