Educação: Educação do carácter

Um conjunto de textos sobre a educação do carácter. O carácter é, talvez, aquilo que marca fundamentalmente a forma de cada pessoa ser e estar no mundo: aquilo que vem a estar por trás das atitudes e comportamentos que a pessoa tem. E pode ser educado, não sendo algo inevitável e incontornável.


Preferimos continuar a aborrecer-nos

Nos minutos seguintes, já um pouco mais relaxados e enquanto tomamos um café, vamos conversando sobre este episódio e perguntamo-nos por que razão nos estamos a aborrecer na hora das refeições. Então, a minha esposa diz-me que é uma opção nossa e que não temos de o fazer. Podemos simplesmente agir como aquele casal agiu com a filha: deixamo-la comer batatas fritas com as mãos até se fartar e beber quase meia garrafa de Coca-Cola, e no final, porque se portou bem à refeição e não chateou os pais, damos-lhe um gelado…

É sem dúvida a maneira mais fácil de educar os filhos… mas pensando bem, preferimos continuar a aborrecer-nos. Para o bem dela.

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Educação do carácter

É verdade que possuímos um desejo inato de fazer o bem. Mas também é verdade que a nossa natureza está “ferida” e necessita de muitos cuidados – uma formação esmerada – para funcionar correctamente. Aprender matemática e português é muito mais fácil do que aprender a ser boa pessoa, a conviver com os outros e a semear a paz à nossa volta. Este segundo tipo de conhecimento – teórico e prático ao mesmo tempo – também deve ser transmitido na escola. No entanto, em primeiro lugar, deve ser assimilado em casa com os pais e os irmãos no ambiente familiar.

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Os defeitos dos outros

Era já de provecta idade. Considerava-se, com toda a humildade, um verdadeiro especialista em obras de arte. Um dia, foi visitar um museu com um grupo de amigos. Logo no início da visita, começou a manifestar as suas contundentes opiniões. Inadvertidamente, tinha-se esquecido dos óculos em casa. Mesmo assim, não se coibiu de satirizar as diferentes pinturas com a sua veemência característica.

Ao parar diante de um “retrato”, analisou-o com ar arrogante: «O homem está mal vestido. O artista cometeu um erro de palmatória. O modelo é demasiado vulgar. Resumindo e concluindo: esta pintura não tem qualidade nenhuma». A sua mulher, ao aperceber-se da barraca que o marido armava, aproximou-se discretamente e sussurrou-lhe: «Querido, estás a olhar para um espelho».

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