Amar os filhos

Castigar os filhos?

Amar os filhos é amar a sua liberdade, como Deus faz com cada um de nós. No entanto, amar a liberdade dos filhos não é a mesma coisa que uma despreocupada indiferença sobre como eles a utilizam. Este ponto parece-me importantíssimo para entender o fracasso de muitas teorias educativas actuais.

Indiferença pelas escolhas deles

Essa despreocupada indiferença — camuflada, talvez, por um aparente respeito pela liberdade — pode ser sinal de um amor imaturo. Um amor que, a todo o custo e a qualquer preço, teme passar um mau bocado ou fazê-lo passar. Um amor que, no fundo, não acredita em que existe um verdadeiro bem e que vale a pena lutar por ele.

Não basta tentar educar

Como dizia um inglês: «Todas as pessoas são educadas em Inglaterra. O problema é que a maior parte delas está mal-educada». Penso que esta frase poderia ser pronunciada com toda a propriedade no nosso país. Não basta tentar educar. É necessário educar bem. E isso, evidentemente, exige esforço da parte dos pais. Exige, algumas vezes, saber dizer que não. Exige, em certas ocasiões, saber corrigir.

Desculpa de respeitar a liberdade

Os pais não podem tolerar qualquer comportamento da parte dos seus filhos com a “desculpa” de que respeitam a sua liberdade. O amor genuíno deseja sempre o verdadeiro bem da pessoa amada. E — atenção ao pormenor de capital importância — está disposto a sofrer por isso, se for necessário.

Há pais que não corrigem

Muitos pais não corrigem — omitem-se! Preferem não levantar ondas, deixam andar! É verdade que essa atitude é apropriada em muitas ocasiões — mas não em todas! Sobretudo, não é adequada quando estão em jogo comportamentos de especial importância para a formação do carácter dos filhos. Se nessas ocasiões os pais se omitem, estão a enganar-se a si próprios. E, quando se dão conta disso, costuma ser demasiado tarde. Já diz o povo: “É de pequenino que se torce o pepino”.
Estas reflexões suscitam perguntas que, no contexto actual, são consideradas politicamente incorrectas: «Em certos casos, pode-se dar um castigo aos filhos? Ou é melhor educar sempre sem esses métodos “antiquados”? Ofende a Deus que os pais castiguem os seus filhos?».

Castigar os filhos não significa violência

Em primeiro lugar, um esclarecimento oportuno: quando uso a palavra “castigo” nunca a considero sinónima de violência. São conceitos completamente diferentes. A violência nunca é educativa, nem construtiva, nem formativa.
Também não defendo que o castigo seja o melhor modo de educar. Nem o único. E muito menos o ideal. A única coisa que digo é que, algumas vezes, pode ser necessário na educação o castigo dos filhos por parte dos pais. Castigo prudente, moderado, dando as razões oportunas e sempre sem violência de nenhum tipo.
No entanto, como alguém dizia, oferecer confiança e animar os filhos — com paciência — costuma dar muitos melhores resultados.

(Rodrigo Lynce de Faria)