Atractivo sexual da mulher

Há um modo de olhar para uma mulher que leva a dizer – Que bonita que é! E há outro modo de olhar que leva a dizer – Que boa que ela é! Se fôssemos pela rua com a nossa mãe ou a nossa irmã e ouvíssemos o primeiro, ficaríamos orgulhosos. Mas, se ouvimos o segundo, ficaremos irritados e com razão. Porque o primeiro é admirar uma mulher, o segundo significa que se olha para ela como objecto sexual. O primeiro é bom, o segundo mau.
Estou a referir-me ao que os homens experimentam em relação às mulheres, porque nisto homens e mulheres são muito diferentes. A mulher não sente essa atracção automática da carne perante o corpo de um homem. Pelo contrário, o homem sente-o perante o corpo da mulher. Por não saberem isto, muitas mulheres interpretam duma forma errada os olhares de muitos homens. Se supõem que são olhadas com admiração, pensam que se referem a elas como pessoas e não sabem que, muitas vezes, se referem simplesmente ao seu corpo de mulher.
Não sabem que o homem tende espontaneamente a fixar-se nos aspectos meramente carnais, no que a mulher tem de objecto. E por isso cometem o erro de quererem chamar a atenção jogando com aquilo que é propriamente sexual. Se soubessem o que passa muitas vezes pela cabeça dos homens que as olham, e o desprezo que muitas vezes provocam neles, ficariam muito surpreendidas. E algumas vezes dizem que os homens são umas bestas ou uns porcos, quando eles são, simplesmente, homens provocados na sua fraqueza pela ignorância vaidosa de uma mulher.

A afectividade da mulher

Como isto não se passa com elas, em relação aos homens, não têm experiência pessoal desse modo de olhar. Para que uma mulher olhe assim para um homem, tem que estar bastante corrompida e desiludida. Porque a mulher tende a considerar em primeiro lugar os aspectos pessoais, afectivos, humanos. O que é estritamente carnal vem, normalmente, só depois do afectivo. Mas, no homem, não é assim. Por isso as mulheres consideram como carinho aquilo que, por parte do homem, é, muitas vezes, simples satisfação do apetite. Sentem-se amadas quando, na realidade, estão sendo usadas.
Por isso as suas relações tendem a ser muito mais exclusivas que as do homem. Têm um sentido possessivo que o homem não tem tão arraigado. Porque vivem a sua sexualidade de um modo mais íntimo e completo. A conexão entre alma e corpo é mais intensa na sexualidade feminina. Por isso são antes afectivas que carnais; por isso o enamoramento as absorve com mais facilidade.

Um erro frequente

Muitas vezes, a mulher engana-se quando aplica aos homens o seu próprio modo de viver a sexualidade. Os homens são mais directamente carnais. Sem serem particularmente brutos, podem experimentar o simples valor sexual do corpo duma mulher, totalmente à margem da sua afectividade ou do seu valor pessoal. O homem é assim. E é bom que a mulher o saiba. Do mesmo modo que é bom que o homem saiba que as mulheres não são como ele, para que não interprete que estão na mesma onda que ele.
Um homem pode surpreender-se com a recusa de uma mulher, quando ele pensava que ela estava já há tempo metida na sua própria dinâmica de excitação. Mas é que a mulher estava interpretando aquilo como carinho. E só mais tarde se dá conta de que aquilo não é o amor limpo que ela queria e, por isso, o recusa.
Há homens que sabem isto e, por isso, sabem que, para alcançar o que querem, têm de fingir que estão apaixonados. Enganar uma mulher, neste sentido, é relativamente fácil, porque ela está predisposta a interpretar como carinho as manifestações do homem. Interpreta, a priori, de boa fé, a atitude masculina. Se ela se expressasse dessa maneira sem um carinho profundo, sentir-se-ia como uma verdadeira prostituta. Por isso tende a pensar o mesmo do homem. E gosta de sentir-se amada. Não se dá conta de que o homem, ante a proximidade de um corpo de mulher, reage, naturalmente e sem maldade, experimentando a atracção sexual desse objecto que lhe desperta o apetite.
Para evitar tratar a mulher como objecto, o homem tem que exercer um trabalho de autodomínio que não lhe é fácil. Se a ânsia que a mulher experimenta por sentir-se amada não tem em conta esta realidade do modo de ser do homem, porá este em situações equívocas, nas quais o possível carinho pode ficar facilmente suplantado pelo apetite sexual.

(Mikel Gotzon Santamaría Garai, in Saber Amar com o Corpo)