Acidental hero

Realizador: Stephen Frears

Actores: Dustin Hoffman; Geena Davis

Música: George Fenton

Duração: 117 min.

Ano: 1992

Um empregado corre sérios riscos de perder o seu trabalho. O álcool, a falta de pontualidade e as circunstâncias da sua vida familiar vão aumentando a vertigem da instabilidade. O seu filho ainda sonha com a reconciliação dos pais e a ruptura do casamento. Tudo acaba em tribunal, que lhe dá uma última oportunidade de tentar endireitar a sua vida profissional e familiar. Decide então ir falar com o seu patrão e a sua mulher. De repente, o seu caminho vai cruzar-se com o de uma jornalista. Era uma profissional premiada. Conhecia o sucesso mas hesitava em recorrer a todos os meios para chegar aos fins. O avião que a transportava cai precisamente no momento em que o empregado passava no seu automóvel. Ele salva-a, bem como aos outros passageiros, mas no meio da confusão ninguém o reconhece como herói. Continua a ser um “Zé ninguém”. Vai até casa. Depois vai ao seu local de emprego. Em ambos os casos, a comunicação é impossível. A sua credibilidade é nula. Mal tentava explicar o que lhe acontecera era impedido de falar. O espaço para o diálogo era inexistente…

Um mendigo dá-lhe apoio mas vai acabar por se aproveitar dele, ao ver na TV um anúncio procurando o “salvador” do avião acidentado. Para ganhar o prémio, faz-se passar pelo verdadeiro herói, pois ouvira o relato em primeira mão do que acontecera. No entanto, a jornalista não acredita que aquele maltrapilho seja o genuíno herói. Continua a sua busca, mas a pressão dos “media” por ter uma boa história é enorme. Mesmo que não seja verdade, porque não transformá-la em verdade? A jornalista decide continuar a procurar a verdade por sua livre iniciativa. Depois de várias peripécias, acaba por descobrir o verdadeiro herói. Mas então, como provar que tudo o que fora transmitido pelos “media” era falso? Quando acontece o frente a frente, em directo e para todo o público, entre o “herói real” e o “falso”, o efeito é imediato. Ninguém fica indiferente, desde a mulher e o filho até ao patrão, sem esquecer a própria jornalista que vai assistindo ao efeito da sua reportagem.

O filme termina com um “happy end”, denunciando um sistema de vida baseado no êxito a qualquer custo, pondo a nu as consequências dessas atitudes na vida profissional, familiar e individual de cada pessoa e nas empresas em que se inserem.

Tópicos de análise:

1. Consequências da falta de diálogo.

2. A credibilidade: reflexo das acções concretas de cada um.

3. O impacto dos “media” no público.

4. Os media como negócio.

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.