The insider

Realizador: Michael Mann

Actores: Russell Crowe; Al Pacino

Música: Pieter Bourke e David Darling

Duração: 157 min.

Ano: 1999

Uma história baseada num caso real, misturando o poder dos “mass media” com o poder económico. O filme começa com um jornalista em acção nos países árabes que não se intimida com nada. O que procura é descobrir a verdade. De regresso aos EUA interessa-se pela polémica em redor da indústria tabaqueira. Entretanto, uma empresa multinacional de tabaco norte-americana decidiu despedir um alto funcionário que trabalhava no seu departamento de investigação química. Era um elemento valioso e que sabia bastantes factos sobre o “negócio” da empresa. Por isso, a indemnização que lhe oferecem é grande, para que nunca revele a ninguém o que sabe e o que fazia. Mas o que ele sabe é que o seu rico nível de vida será impossível de manter. Pensa em vingar-se da empresa. Porque não? Mas ao mesmo tempo hesita. Não seria um hipócrita, denunciando um facto que ele próprio praticou, só por vingança e não porque esteja arrependido da sua maldade? Como a discussão pública em torno do tabaco aumenta, o jornalista do início do filme entra em cena e consegue contactar com o funcionário despedido. Desenrola-se a acção. A empresa tabaqueira tenta por todos os meios impedir qualquer tipo de declaração do seu antigo investigador e, por sua vez, o jornalista procura que o funcionário revele na televisão tudo o que sabe. O poder dos mass media é grande mas o do dinheiro é maior. Este aspecto é exemplificado numa cena de antologia, em que numa sala branca e transparente, onde a inocência devia imperar, o jornalista é chamado para ser informado de que quanto maior for a “verdade” maior é o risco de ser despedido ou a sua estação de televisão ser comprada por um grupo económico. Quem garantiria que a reportagem a exibir seria correcta, se é simples manipular imagens? A tensão e a pressão é grande. Há longas cenas mostrando as dúvidas e hesitações dos protagonistas, reforçadas pela guitarra clássica a pintar de angústia as imagens. O filme é demorado, para o espectador sofrer com os personagens todas as implicações éticas, profissionais, familiares, de oportunismo e de coragem que se desenrola perante nós. Na vida real, tal como no filme, o caso acabou em tribunal. A indústria tabaqueira perdeu, mas também os outros envolvidos não voltaram a ser os mesmos.

O filme pode ser interpretado como uma “peça” da campanha anti-tabagista, mas é muito mais do que isso: é a crua luta pelo poder, pelo lucro, em que as relações pessoais são de domínio e a confiança é difícil de construir e de manter. Tanto na empresa de tabaco, como na estação televisiva, estão bem patentes todos os ingredientes da história… e é uma história universal, mesmo ao cruzar da nossa esquina…

Tópicos de análise:

1. A responsabilidade ética de cada profissional.

2. A confiança entre os elementos de uma equipa.

3. Os “mass media”: denúncia ou sensacionalismo?

4. O factor “credibilidade” no sucesso das empresas.

5. A manipulação da opinião pública.

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.