Citizen Kane

Realizador: Orson Welles

Actores: Orson Welles; Joseph Cotten; Dorothy Comingore

Música: Bernard Herrman

Duração: 119 min.

Ano: 1941

Sobre este filme de Orson Welles, a sua obra prima – de facto foi o primeiro filme que realizou – já tudo foi dito e escrito. No entanto, vale a pena abordá-lo numa perspectiva empresarial, sem nos determos nos aspectos técnicos, formais e narrativos, que são brilhantes a diversos níveis.

A história segue num “flasback” a vida pessoal e profissional de um bem sucedido homem de negócios que acabara de morrer. A última palavra que pronunciara fora “Rosebud”. Todos pareciam saber quem era o falecido, mas um jornalista pretende conhecer a verdadeira vida desse multimilionário e o que significava Rosebud. Começa as investigações e cena a cena, vamos entrando na intimidade dessa figura, desde a infância até aos últimos dias. Perante o nosso olhar irão desfilar várias personagens, desde as diferentes mulheres que tivera até muitos dos seus empregados. Todos apresentam uma nota comum: de um modo ou de outro, tinham aceite ser comprados/conquistados por dinheiro. O poder monetário tudo conseguira e todas as portas abrira, aliando os mass media ao poder político. O seu património era incalculável. Só a realização pessoal é que não conseguia obter, por mais dinheiro que acumulasse. Pouco a pouco, a solidão impora-se! Uns abandonaram-no por terem sido destroçados pela sua forte personalidade. Outros deixaram-no para poderem sobreviver… Não se ouvem mais palmas, os louvores nos jornais não são mais do que papel enxovalhado e até se voltam contra si. Os conselhos nunca seguidos e tantas vezes rejeitados fazem falta, agora que chegara ao final da vida. Não soubera manter amigos autênticos que lhe dissessem frontalmente o que precisava de ouvir. Não se rodeara de bons colaboradores e a sucessão de alguém à frente das suas empresas era uma ficção, até pela falência a que levara os seus empreendimentos. Por mais que o jornalista investigasse, era difícil compreender o sentido da sua vida…

No final, o enigma da palavra “Rosebud” é desvendado, mas qual o verdadeiro significado dessa palavra para cada um de nós, que de geração em geração vê e revê essa primeira obra de um realizador que marcou como poucos a história do cinema?

Tópicos de análise:

1. A ambição como projecto de vida.

2. As falsas aparências de uma estratégia coerente.

3. O real poder do dinheiro e dos mass media.

4. Os colaboradores: pessoas de confiança ou meros executantes?

5. A repercussão da vida familiar na vida profissional e vice-versa.

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.