Civil action

Realizador: Steven Zaillian

Actores: John Travolta; Robert Duvall

Música: Danny Elfman

Duração: 112 min.

Ano: 1998

O filme começa com um advogado em pleno tribunal. É uma cena de antologia sobre o modo de conduzir uma negociação, jogando com as emoções. Não se apela à razão, mas ao sentimento, ao imediato. É mais uma acção ganha… e assim ficamos a conhecer um advogado que vence as suas causas utilizando todos os meios ao seu alcance. O objectivo é triunfar, custe o que custar, aproveitando-se até das desgraças alheias. O que interessa é o lucro da vitória.

Surge então um novo caso. Alguns adolescentes tinham morrido de leucemia, supostamente, por terem bebido água contaminada por empresas que derramavam produtos tóxicos no rio que abastecia as casas das vítimas. O advogado hesita em aceitar defender esta causa. Apesar do caso ser mediático, como o são todas as questões ambientais, os lucros poderiam não ser muitos. As famílias das vítimas eram pobres. A empresa poluidora era poderosa e empregava muitos trabalhadores da zona, que não queriam perder os seus empregos. Se fosse simplesmente condenada a tratar as águas do rio, não haveria compensação económica para o advogado… No entanto, ele aceita o caso, alterando o rumo do seu passado e inicia-se a guerra judicial. A batalha nos tribunais e nos bastidores é feroz. Pouco a pouco vamos conhecendo as motivações dos diferentes grupos e personagens envolvidos. As questões pessoais, laborais, ambientais, económicas e a pressão mediática, unem-se num enredo completo, com uma profundidade dramática no tratamento dos temas abordados que vale a pena analisar! Os actores dão vida real a figuras típicas do moderno quotidiano. Robert Duvall foi nomeado para os óscares, e o realizador Sidney Pollack tem também um pequeno papel.

Steven Zaillian é mais conhecido como argumentista. Interveio por exemplo na “Lista de Schindler”, no “Gangs of New York”, etc. Como realizador aprecia as questões sociais e narrativas baseadas em factos reais. O seu primeiro filme “Jogada inocente – em busca de Bobby Fisher”, já comentado nesta secção, revelara o seu interesse em tratar assuntos do quotidiano com os quais as pessoas se pudessem identificar. Neste filme há “um murro na mesa”, uma denúncia que pretende interpelar quem o veja, mas ao mesmo tempo indicando decisões ao alcance da vida pessoal de todos…

Tópicos de análise:

1. A visão puramente economicista do trabalho como fonte de lucro.

2. A motivação e os interesses em jogo nos casos judiciais.

3. O ambiente vende ou é um entrave ao desenvolvimento das empresas?

4. A negociação é uma ferramenta de trabalho ou um conjunto de intrigas?

5. A preocupação social das empresas tem repercussões no seu desempenho?

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.