Syriana

Realizador: Stephen Gaghan

Actores: George Clooney, Matt Damon

Música: Alexandre Desplat

Duração: 123 min.

Ano: 2005

O petróleo é actualmente a principal fonte de energia. Ao longo da história do cinema foram muitas as obras que abordaram este assunto, sob variadas formas. Syriana é mais um exemplo, colocando a tónica nas relações geo-estratégicas e nos conflitos inerentes à tentativa de controlar este “bem” escasso e limitado. Transmite assim uma visão panorâmica e bem ilustrada do problema.

Como um bom produto de Hollywood, o segredo está na fórmula de estruturar a narrativa. Neste caso, apresenta-nos diversos personagens independentes entre si, que pouco a pouco se vão cruzando uns com os outros devido aos negócios com o mercado petrolífero. Conheceremos um jornalista que abdica da família para se tornar num consultor de um poderoso magnata na Arábia; um espião da CIA que se vê envolvido nas lutas do Médio Oriente; um desempregado muçulmano em situação precária que hesita em aderir aos radicais; um político norte-americano que não olha a meios para alcançar os seus objectivos e ainda um rico empresário que contrata um “colaborador” para lhe tratar dos negócios e que tem de lidar com a corrupção ao mais alto nível da tomada de decisões, muitas vezes justificada por “boas” causas…

Tudo parece muito natural, normal… afinal de contas, o mundo é assim. Mas será mesmo? Quando terminamos de ver o filme há determinados aspectos que se tornam claros e evidentes: as diferenças culturais e de mentalidades entre o Ocidente e os Árabes são grandes, mas no fundo, a natureza humana é igual. Tanto uns como outros se podem mover por interesses nobres ou mesquinhos, altruístas ou egoístas. Tudo se resume às opções que cada um faz individualmente, aceitando correr os riscos pela coerência das suas atitudes. Não fazer o que todos fazem é difícil, mas é possível. E estes são alguns dos exemplos que vemos nesta obra.

O actor George Clooney tem pautado muito do seu trabalho por denunciar casos gritantes de desumanidade desta nossa civilização. Mas aponta algumas saídas, sem cair em moralismos fáceis. E uma das histórias que mais tempo é abordada, é a do jornalista americano que abandonara a família e que a ela regressa depois de uma tão intensa experiência profissional. O filme termina com eles, nem bem, nem mal, sem “happy endings” pois a vida não acabou naquela altura, continua em cada dia. Hoje também!

Tópicos de análise:

1. Os fins não justificam os meios.

2. O mercado energético e a globalização.

3. Os contactos pessoais são a base de todos os bons negócios.

4. As injustiças como uma das principais causas do ódio em todos os seus níveis.

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.