Filme Tempos modernos

Modern times

Realizador: Charlie Chaplin

Actores: Charlie Chaplin; Paulette Goddard

Música: Charlie Chaplin

Duração: 87 min.

Ano: 1936

“A rir se dizem as verdades” é um conhecido provérbio que faz todo o sentido neste filme. A maioria das obras realizadas por Charlie Chaplin são sátiras sociais. Em “Tempos modernos”, o célebre personagem, “Charlot”, revela a desumanização do trabalho em série sem espaço para o mínimo de criatividade ou de realização pessoal. Mais do que trabalhar numa linha de montagem, o Homem faz parte dessa linha de montagem. O ser humano reduz-se a uma mera peça de toda a engrenagem. Desapareceu a sua identidade, a sua individualidade, o seu valor próprio. Todo o trabalho valorizado é o trabalho mecanicista. O capital intelectual é desprezível e desprezado. O Homem é tratado como um objecto.

O arranque do filme é soberbo, com imagens de gargalhada imediata. Mas são cenas que dão que pensar. Um trabalho daqueles não desenvolve as capacidades de quem o pratica nem potencia o aumento de lucros de uma empresa como a que aparece retratada. Se o empregado pretende alterar a situação, ou é despedido ou pede a demissão, mas o desemprego será sempre a conclusão. A revolta instala-se. O filme segue depois um desenvolvimento inesperado. A questão vital do emprego, vai ser unida por Charlie Chaplin à questão vital do amor, à procura da estabilidade emocional e familiar. Quando Charlot encontra a sua princesa encantada, a vida ganha novas soluções e os dois ultrapassam crise após crise, apesar de nunca desaparecer sobre eles a nuvem angustiante da amargura, perante os horizontes carregados da incerteza laboral. E já na cena final, é de mãos dadas que os dois se lançam num novo caminho, ainda incerto, mas bem apoiados nas forças um do outro.

Um aspecto pouco conhecido de Charlie Chaplin é que foi ele o compositor da banda sonora, marcando através dela a intensidade da acção e criando o ambiente emocional da narrativa.

Tópicos de análise:

1. A desumanização do trabalho puramente mecanicista.

2. O trabalhador como ser humano e não como um mero objecto.

3. O desemprego como degradação do Homem.

4. A injustiça como semente de revolta.

5. A família, um factor fundamental da realização pessoal.

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.