Shattered glass

Realizador: Billy Ray

Actores: Hayden Christensen, Peter Sarsgaard

Música: Mychael Danna

Duração: 96 min.

Ano: 2003

O mundo da comunicação social e o acesso à informação é cada vez mais determinante para o bom desempenho empresarial. Antigamente era considerado o “Quarto poder”. Actualmente é muitas vezes o primeiro e é interessante constatar como empresas comerciais, financeiras ou industriais se lançaram em negócios relacionados com os “Media”, quer em Portugal, quer no estrangeiro.

Este filme baseia-se em factos reais, narrando a história do jornalista Stephen Glass, interpretado por Hayden Christensen. Era um jovem escritor de 24 anos quando começou a trabalhar na revista “The New Republic”. Aí permaneceu durante três anos, entre 1995 e 1998. Entrou como um simples estagiário e rapidamente se transformou num dos seus mais brilhantes cronistas, com artigos de fundo e fruto de uma investigação sobre os mais variados temas da actualidade. Mas a veracidade de uma das suas reportagens foi um dia posta em causa. Iniciou-se um processo e descobriu-se que 27 dos 41 artigos que publicara eram falsos, quer na sua totalidade, quer parcialmente. Alguns eram mesmo completamente inventados. O choque foi grande…

Que tipo de motivação leva um jornalista, uma pessoa a mentir, a inventar fontes e a falsear histórias? A fama? A tentativa de se destacar num mercado muito competitivo? Mostrar a todos que era melhor que os seus colegas? Construir uma auto-estima egocêntrica?

Em relação à revista e aos seus editores as consequências também foram graves. Perdeu a confiança de muitos leitores e tornou clara uma verdade conhecida mas pouco assimilada pelo grande público: vários dos artigos são escritos por estagiários. A credibilidade foi afectada, o que foi um duro golpe para uma revista lida no avião presidencial “Air Force One”. Eis uma possível explicação para este caso mediático. Muitos editores, para conseguirem poder e influenciar as decisões, lutam por serem os mais rápidos, por terem as últimas novidades, por serem eles a criar a agenda política, mediática e económica, sem confrontarem os dados com a realidade. Realcemos que quem desvendou este caso foi uma outra revista, onde alguns jornalistas e estagiários, apesar da a competição, trabalharam em equipa para investigar a questão.

No final, é patente qual o papel dos dirigentes. A sua actuação é decisiva na criação de uma cultura de empresa e por merecerem ou não a confiança dos seus colaboradores, clientes e do público em geral.

Tópicos de análise:

1. A responsabilidade dos “Media” na vida social e individual.

2. Qual a finalidade da acção de cada um?

3. Reconhecer a verdade é a maior prova de credibilidade.

4. O interesse do líder está no resultado final ou nas pessoas?

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.