Huozhe

Realizador: Zhang Yimou

Actores: Gong Li; Ge You

Música: Zhao Jiping

Duração: 125 min.

Ano: 1994

A cultura oriental e a chinesa em particular ainda possui aspectos indecifráveis para o mundo ocidental, apesar de tanto se falar na globalização e no enorme mercado que a China significa. Um filme como este, “Viver” traça em breves pinceladas – como se de um quadro se tratasse – parte da história da China do séc. XX, em concreto, dos anos 40 até aos setenta, abrangendo a “revolução cultural”.

A narrativa segue o estilo melodramático da representação chinesa, em que rapidamente se passa da comédia ao drama, reflectindo os meandros que a vida tece. No entanto, a acção está sempre presente na vida de todos os personagens, sendo cada um deles como que um “tipo”, um “padrão” de um real ser humano. Cada figura tem profundidade, personalidade, à boa maneira do teatro grego ou shakesperiano. Através de cada sequência do filme, vamos conhecendo melhor o ponto de vista oriental perante determinados acontecimentos e assuntos. Vamos entrando num mundo que pode parecer estranho à partida, mas que pouco a pouco se vai tornando mais familiar, pois o “ser” humano, a alma humana, é universal…

O filme começa com uma cena de jogo e de apostas. Um negócio. Mas por detrás do dinheiro, o que há sempre são pessoas. Nas empresas os números são essenciais, mas as pessoas ainda mais. E um bom líder precisa de ter essa sensibilidade, a capacidade para reparar nesse aspecto. Por isso, não podemos deixar de referir um outro filme, “Regresso a casa”, também deste realizador Zhang Yimou, do ano 1999, onde revela sem pudor toda a sensibilidade oriental – que é também universal – de olhar para o mundo. Um mundo de pessoas e de negócios, tantas vezes disfarçado atrás de máscaras e fachadas, onde o que tem valor está escondido e ao alcance da mão de qualquer um. Basta uma acção, uma ideia, uma inovação. Porque contemplar de braços cruzados a vida a passar, sem nos esforçarmos por aprender sequer a pescar, não é um provérbio oriental nem pertence à sabedoria universal… e muito menos empresarial.

Tópicos de análise:

1. A necessidade de reflectirmos nas acções individuais.

2. Saber criar e aproveitar oportunidades.

3. A capacidade de jogar na antecipação.

4. Observar para aprender a arriscar.

Encontra aqui uma curta apresentação de algumas dezenas de filmes, contendo os dados principais de cada um deles, um resumo e alguns tópicos de análise. Não se trata de filmes aconselhados por nós, mas apenas de algumas ideias que podem ajudar a escolher um filme ou a tirar partido dele do ponto de vista educativo.

Colaboração de Paulo Martins, Mestre em História e doutorando em Cinema.