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A queda

 

Der untertang

Realizador: Oliver Hirschbiegel

Actores: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara

Música: Stephen Zacharias

Duração: 156 min.

Ano: 2004

 

        Um filme sobre os últimos dias de Hitler. Não é mais um filme sobre o líder nazi a juntar a tantos outros que já foram realizados. Este tem uma particularidade que o torna muito realista: está baseado nas memórias de Traudl Junge, a secretária do Fuhrer.

        A narrativa assenta em dados verídicos e vividos na primeira pessoa. Não é uma interpretação de como poderiam ter sido os últimos momentos de um personagem. Mostram-se sim factos e situações de uma pessoa real, num espaço e num tempo bem delimitados: os últimos 10 dias de vida de Hitler no seu "bunker" de Berlim. Os espectadores tornam-se parte do filme, pois vão para o interior da "casa-forte" enterrada debaixo de terra. Aí passamos grande parte da acção, com um homem poderoso, mas reduzido a quatro paredes, encerrado num ambiente fechado, pesado, sem a noção do tempo, fora da realidade. A guerra já estava perdida para os alemães. As informações que chegavam e partiam não correspondiam à realidade. Falhas de comunicação constantes. Mas o pior eram as ordens sem sentido de Hitler. Como podia um homem tomar essas atitudes? Este é o ponto fulcral do filme: Hitler não era um extraterrestre, um monstro, mas um ser humano como outro qualquer.

        Era um homem. Era simpático com as pessoas, gostava das canções de crianças, sabia ser delicado com as mulheres, agradecia um favor, brincava com os cães. Mas era capaz de tomar a decisão mais cruel e de querer mal a todo um povo. Não era capaz de ver uma solução que implicasse o reconhecimento de uma medida errada. Todos estavam enganados, ele era o único certo, como se vê num acesso de fúria ao discutir com os seus generais. Exigia-lhes uma obediência cega. E muitos dos seus homens seguiram-no até à morte. Não pensavam se o que faziam era bom ou mau, não havia pausas para reflectir. O importante era fazer, executar (nos vários significados que esta palavra possui) como se a responsabilidade individual tivesse sido hipotecada e vendida ao líder. E assim prolifera o mal. Como dizia a filósofa Hannah Arendt: a maior parte do mal "é feito por pessoas que nunca se decidem sobre se querem fazer o mal ou o bem..." como se não fossem responsáveis pelas suas decisões. E mais tarde ou mais cedo todos perdem, quer eles próprios, quer os superiores a quem não aconselham e por quem se deixam guiar. Nesses 10 dias conheceremos generais corruptos, outros ambiciosos, alguns ávidos de glória e também os que querem cumprir até ao fim ordens absurdas com medo da verdade da qual sempre fugiram. Por isso, alguns suicidam-se, ao não encontrarem sentido para uma vida que não quiseram viver, vivendo os sonhos de outros e querendo viver à custa de outros.

        É um filme dramático, real. A História tem muitas lições para ensinar. Devemos aprendê-las, pois ela repete-se apesar de mudarem os tempos e os nomes... às vezes repetindo-se até nas circunstâncias do dia a dia. Depende de cada um construir a sua vida e de algum modo, a dos outros e a da Humanidade.

 

Tópicos de análise:

 

 

1.      A motivação do exercício do poder.

2.      A avaliação da realidade concreta tem de ser uma constante.

3.      Critérios na selecção dos colaboradores.

4.      A reflexão potencia a obediência.

 

 

 

 

«A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar.» (Henry Peter)