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O clube do imperador

 

Emperor's club

Realizador: Michael Hoffman

Actores: Kevin Kline, Emile Hirsch

Música: James Newton Howard

Duração: 108 min.

Ano: 2002

 

        Um professor de Cultura Latina de uma escola americana de tradição inglesa, em regime de internato, com uniformes e sessões solenes dignas desse nome, tem a missão de leccionar uma das matérias mais aborrecidas do curso. Como motivar os alunos e captar-lhes a atenção? Em princípio parece simples, pois os alunos querem obter uma excelente classificação e triunfar também nessa disciplina. Os objectivos de todos convergem. Tudo corre bem.

        Surge então o drama. Um estudante é obrigado pelo pai a ir estudar para lá. Não está interessado em nada. É contra tudo. O seu poder de sedução perante os colegas é enorme. A rebeldia cativa. Usa o uniforme com desleixo. Quebra regras. Provoca. O professor enfrenta-o.

        Como docente experimentado, fala com ele e com o pai, um velho senador que defende que para subir na vida não se deve olhar a meios. É o vale tudo. Não quer que o professor se empenhe em tornar o filho um "bom rapaz". Mas o professor não desiste e tenta motivá-lo extrinsecamente: empresta-lhe livros pessoais, estabelece metas acessíveis e premeia-o pelas vitórias obtidas.

        O rapaz vai mudando. Para um concurso em que o vencedor recebia uma coroa de louros como na Roma Imperial, eram seleccionados os três melhores alunos. O rapaz em questão fica em quarto. Mas o professor resolve alterar a classificação e coloca-o na final. No grande dia, em pleno concurso, o aluno copia, mas o professor não o denuncia. Coloca-lhe uma questão impossível de acertar e ele perde. Depois confronta-o com a realidade. Espera que tenha aprendido a lição e não torne a tentar vencer à base de atitudes desonestas. O rapaz que fora preterido, desanimado, segue a sua vida, tal como todos.

        O filme dá então um salto de vários anos. O professor fora obrigado a deixar de ser director, cargo que alcançara por mérito, para ser substituído por um jovem com novas técnicas de gestão. Mas um dia, quem consegue uma grande soma monetária para a escola é ele próprio. O seu antigo aluno, já casado e pai de filhos, desejava repetir o concurso. Pagava tudo, desde as deslocações aos alojamentos de todos na sua mansão, para além de uma oferta substancial à escola por tudo o que aprendera.

        Os velhos amigos reúnem-se novamente. É uma festa mas durante o concurso, o professor repara que o antigo aluno mais uma vez não estava a ser leal. Não o desmascara, mas fá-lo perder. Depois enfrenta-o. É a desilusão. Percebe que tudo aquilo fora para anunciar aos colegas que se candidatava ao lugar de senador do pai e queria assim contar com o apoio deles. Esclarece-lhe que tinha de triunfar à custa de tudo e de todos. No entanto, esta discussão é ouvida pelo seu filho pequeno, que ostensivamente lhe volta as costas. Compreendera tudo apesar da pouca idade.

        O professor vai então falar com o rapaz que desclassificara anos atrás. Conta-lhe a verdade e reconhece o erro. O antigo aluno perdoa-lhe. A vida continua.

        No início de mais um ano lectivo, entra um aluno novo na sala. O professor pergunta-lhe o nome. Era filho do rapaz que fora preterido, mas que apesar de tudo, via naquele mestre uma honradez e um apreço pela verdade que valia a pena tentar transmitir ao filho, precisamente neste mundo em que se quer  vencer a qualquer preço.

 

Tópicos de análise:

 

 

1.      A motivação extrínseca é mais fraca que a intrínseca.

2.      Os fins não justificam os meios, como comprovou o próprio professor.

3.      Reconhecer os erros é de sábios.

4.      O exemplo dos superiores influencia a personalidade de quem deles depende.

 

 

«A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar.» (Henry Peter)