educação

Quem somos | Contacto | Colaboração | Novidades por e-mail

 

 Educação

 aborto | família | professor | eutanásia | liderança | vida | pensamentos | belos textos

Início

Psicologia das idades

Filmes

 

Motivação

Vai

Virgo

Morangos com açúcar

Quando não se procura

Na feira medieval

Namoro

fim de namoro

Flores de estufa

O mapa do tesouro

Autodesculpa e mediocridade

Coisas que fazemos

Menina encantada

Liberdade e responsabilidade

Irmãos pequenos do vento

Amor e sexo

O inimigo

Autoridade serviço

Etapas da adolescência

Liberdade para tudo?

Vale tanto a pena!

Ditadores

A importância do sorriso

Motivar o estudo

O jogo das pedrinhas

Arroz de polvo

Censura...

Há algo de mau no prazer?

Nenhuma flor

Ele

Impaciência

Não há problema

Razões para sorrir

O silêncio dos adolescentes

Além das palavras

O castelo

Tudo ou nada

Não temos tempo

À maneira de raiz

Dizer não aos filhos

Dizer não pode ser saudável

Há muitos caminhos

Educar adolescentes

A imaginação das crianças

O tempo livre dos filhos

Colaboração dos filhos

Spartacus

Prémio e castigo

Socorro!

Ser feliz

27 conselhos

Muito mais simples

Drogas leves

Não te preocupes

10 regras

Educar na religião?

Castigar as crianças?

Castigo ou correcção?

Fortaleza

Stresse e solidão

Tempo para os mais novos

Tempo para os mais velhos

Educar os sentimentos

E tu... quem és?

Só uma mãe sabe

Super-amados

Tudo num hospital

Narciso

O poço de Ryan

Gabriel

Sofrer por uma boa causa

Boas notas

 

 

  

Narciso

 

Narciso, antes de ser uma personagem da mitologia grega, era simplesmente um rapaz escorreito, não se pode negar; tinha uma cara de príncipe de conto de fadas, usava o cabelo comprido ou curto conforme a ocasião, vestia com gosto e maquilhava-se só com produtos naturais, absolutamente naturais.

 Numa terça-feira (ou quinta. tanto dá) acabava de dispor-se para sair, talvez para ir ao teatro (porque ainda não se tinha inventado o cinema) ou talvez a uma festa. Tinha revitalizado os seus lábios com cereja vermelha, branqueado o seu rosto e penteado o seu cabelo. Viu-se ao espelho (o reflexo da água num lago, pois tudo era natural) e contemplou-se com satisfação e disse para si mesmo: "sou mesmo perfeito".

 

Então Zeus, o deus grego, reparando com quanto deleite Narciso contemplava a sua própria figura, infundiu-lhe um amor desmedido pelo seu próprio eu. Narciso enamorou-se perdidamente por si mesmo. E quis alcançar a sua imagem atirando-se ao tanque, onde morreu infeliz por não se poder possuir.

 

Esta história da mitologia grega, parece-se com a história dos rapazes que gastam tardes inteiras no ginásio a contemplar os seus bíceps ou das raparigas que não se poupam jornadas esgotantes de ginástica rítmica. "Sou mesmo perfeito" ouvimo-los pensar quando nos salões se põem diante dos espelhos depois de "treinarem", olhando, por diante ou atrás o abdómen dividido em quatro ou seis rectângulos, os músculos dorsais, fazem força para perfilar melhor os bíceps, os peitorais, etc.

 

Se fores a um ginásio podes ver que sempre há um salão com espelhos onde certamente haverá "teens" e não tão "teens" a avaliar a musculatura dos seus corpos. "Com o suor cutâneo a silhueta dos músculos fica mais definida …", é o que dirão.

 

Mas narciso não só é o rapaz ou a rapariga que vivem para a figura do seu corpo: há alguns mais refinados, desde os que transmutam o rosto com cosméticos, até aos que além de dietas, roupas e modas, se penteiam com métodos sofisticadíssimos.

 

A Narciso a morte apanhou-o num tanque. E eu pergunto-me, onde é que a morte apanha os narcisos de hoje, que consomem a sua vida no culto idólatra da sua figura; a sobredosse, excesso de hormonas, e eis os que ficam "tesos" com a cirurgia plástica , etc. "Não, eu só faço exercício" diz algum rapaz frequentador do ginásio …

 

Viver para o corpo é como morte em vida, pois não vives para ti mesmo nem para os outros, mas para a figura do teu corpo. Sem necessidade de falar da doutrina católica e de que o culto do corpo constitui uma forma de idolatria, um elementar sentido humano adverte-nos contra essas formas de perversão.

 

O meu corpo não me pertence porque não é uma coisa que se possua, também o meu corpo é a minha casa, como dizia a propaganda sem bases filosóficas. O meu corpo é parte da minha humanidade: sou eu mesmo com a minha alma numa união indivisível.

 

Ao dar atenção desmedida ao meu corpo, em certo sentido estou a tratá-lo como um objecto que possuo. E não é que não deva atender o meu corpo, dizendo melhor, cuidar e atender-me a mim mesmo e por isso mesmo, como parte inseparável do meu ser, aplicar-me ao cuidado do meu corpo. O ginásio e os aerobics são bons: são saúde. Mas não são um fim em si mesmo.

 

Da próxima vez que fores ao ginásio, procura não olhar-te ao espelho. Faz exercício físico que te ajude a manter a mente desempoeirada e o espírito aberto. Como dizia o sábio pensamento latino: Orandum ut sit, mens sana in corpore sano; quer dizer, "há que fazer oração para ter uma mente sã num corpo são".

 

Não esqueças a sentença completa porque o homem é uma unidade de espírito e corpo. E o homem não terá são o quinto andar, se o seu espírito e o seu corpo carecem de harmonia; quer dizer, se não está em paz com Deus, com os outros e consigo mesmo: Orandum ut sit, mens sana in corpore sano.

 

Jóvenes: 9 de Abril de 2003 Autor: Ignacio Plascencia. Tradução para a Aldeia de E. Rocha

 

«A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar.» (Henry Peter)