Lamas de Mouro. Parque Nacional da Peneda-Gerês. Estamos de férias há cerca de uma semana e, à semelhança dos últimos dias, preparamo-nos para mais um almoço no parque de merendas, ali mesmo ao lado do parque de campismo. Sentamo-nos e repete-se a situação dos dias anteriores. A nossa filha, talvez por andar já um pouco cansada e fora da sua rotina habitual, não tem apetite e é a custo que conseguimos que ela inicie o almoço: sopa (como sempre) e vitela assada, acompanhada com arroz branco e batata também assada. Os minutos passam. A refeição acaba por não ser muito sossegada, pois estamos constantemente a insistir com ela. Ao nosso lado, numa mesa a uma dezena de metros, está um casal sensivelmente da nossa idade com uma filha um pouco mais velha do que a nossa. Almoçam tranquilamente, sem qualquer insistência com a filha. Entretanto, na nossa mesa, mais uma garfada e o almoço lá vai avançando, numa fase em que já quase nos apetece desistir. Alguns minutos depois terminamos finalmente a refeição com uma peça de fruta para cada um de nós e respiramos fundo.

Nos minutos seguintes, já um pouco mais relaxados e enquanto tomamos um café, vamos conversando sobre este episódio e perguntamo-nos por que razão nos estamos a aborrecer na hora das refeições. Então, a minha esposa diz-me que é uma opção nossa e que não temos de o fazer. Podemos simplesmente agir como aquele casal agiu com a filha: deixamo-la comer batatas fritas com as mãos até se fartar e beber quase meia garrafa de Coca-Cola, e no final, porque se portou bem à refeição e não chateou os pais, damos-lhe um gelado…

É sem dúvida a maneira mais fácil de educar os filhos… mas pensando bem, preferimos continuar a aborrecer-nos. Para o bem dela.

(Luís dos Anjos)