Características psicológicas da criança dos 10 as 12 anos

10 ANOS

1. Características psicológicas

1.1. É a idade do grande equilíbrio na sua evolução, embora sendo etapa de transição. Mostra-se feliz, simpática, tranquila, amável, sincera, amigável.

1.2. Às vezes manifesta ataques de ira, mas sempre encontra um modo de desafogar a irritação – são momentos breves e superficiais.

1.3. O equilíbrio que manifesta, encontra-se livre de tensões e inclinado a uma fácil reciprocidade. Mostra-se independente e directa.

1.4. Possui grandes desejos de agradar aos outros.

1.5. Compreendem muito bem o próprio comportamento.

1.6. Observa-se, nesta fase, uma maior amplitude de gostos e interesses, que manifestam em todo o seu âmbito pessoal, familiar e social.
1.7. Têm grande capacidade de protecção, projectada, especialmente em crianças mais pequenas, animais, etc.

2. Âmbito escolar

2.1. A criança de 10 anos possui um grande poder de assimilação, gosta de memorizar, identificar ou reconhecer os factos, fazer classificações, etc.; no entanto custa-lhe mais conceptualizar ou generalizar.

2.2. Tem períodos de atenção curtos e intermitentes, daí que goste mais de falar, contemplar, ler e escutar, do que de trabalhar.

2.3. Sente pouca inclinação para o trabalho. Pode propor-se muitas tarefas, mas não persevera em nenhuma.

2.4. Experimenta grande prazer na actividade física: correr, trepar, saltar…

2.5. Gosta que a professora faça a programação das suas actividades e lhe recorde imediatamente se deixou algo fora do programa.

2.6. Podem arranjar desculpas para não ir ao colégio, se algo lhes corre mal, ou se receberam alguma reprimenda ou censura.

2.7. Sentem carinho pelos professores.

2.8. Manifestam períodos de concentração, alternando com outros de jogos esgotantes.

11 ANOS

3. Características psicológicas

3.1. Mostra-nos aos 11 anos, um passo mais no seu desenvolvimento: que é mais inquieta e charlatã.

3.2. Mostra maior actividade e prefere a companhia de outros, recusando a solidão.

3.3. Gosta de discutir, mas não deixa que discutam com ela.

3.4. Possui uma maneira de pensar mais concreta e específica. Parece embarcada numa procura activa do “eu” e encontra-o em conflito com o dos outros.

3.5. Tem um grande sentido de justiça e horror à fraude.

3.6. Impulsiva, embora lhe falte perspectiva.

3.7. Supercrítica, tanto em relação a si, como aos outros, mas não sabe aceitar as críticas dos outros.

4. Âmbito escolar

4.1. Aos 11 anos gastam as energias procurando o modo de eludir as tarefas.

4.2. Agrada-lhes a possibilidade de escolha e, oferecendo-lhe várias coisas para que seja ela mesma a escolher, leva a cabo diligentemente o trabalho.

4.3. O professor é o factor independente mais importante na vida escolar de uma criança de 11 anos.

4.4. No entanto prefere os professores exigentes e que tenham sentido de humor.

4.5. Um professor paciente, justo e simpático, não demasiado exigente, compreensivo, capaz de “tornar interessantes as coisas”, e inimigo de gritar, são qualidades que atraem uma criança nesta idade

4.6. Agradam-lhe muito os desportos e jogos ao ar livre.

4.7. Os dados que melhor apreende, são os que se ensinam sob a forma de contos, em que uma acção leva inevitavelmente a novas acções.

12 ANOS

5. Características psicológicas

5.1. Denota maior equilíbrio, aceita os outros; vê-os, e também a si próprio, com mais objectividade, mas flutua de actividades pueris a outras mais maduras.

5.2. Possui um maior controlo de si própria.

5.3. É capaz de inibir os seus temores, com novos rasgos de humor e tendendo a mostrar-se extrovertida, exuberante e entusiasta.

5.4. Encontra-se nas primeiras etapas da adolescência.

5.5. Mostra-se menos insistente, mais razoável, mais companheira dos seus, mais altruísta.

5.6. Não gosta que o considerem uma criança, tem um grande desejo de crescer.

5.7. Denota um grande avanço no seu pensamento conceptual quanto à preocupação pelo valor de termos como justiça, lei, vida, lealdade, delito, etc.

5.8. Possui um autêntico sentido do que é lógico.

5.9. O seu rasgo dominante é o entusiasmo expansivo e a capacidade de tomar a iniciativa.

5.10. Sensível aos sentimentos dos demais a às atenções e interesses das pessoas que a rodeiam.

5.11. A sua nova visão das coisas inclui uma capacidade de amadurecimento.

6. Âmbito escolar

6.1. Os 12 anos são de maior objectividade e amadurecimento, perspectivas mais amplas para as coisas.

6.2. É entusiasta e impaciente, embora às vezes se mostre um tanto amorfa no pensamento e na acção.

6.3. O seu maior e mais importante problema é o trabalho escolar.

6.4. É comum a realização do diário íntimo e pessoal.

6.5. Mostra-se mais reflexiva perante os diferentes problemas e procura solucioná-los sozinha.

6.6. É muito responsável na organização do seu tempo e no cuidado dos seus próprios objectos.

7. Atitudes das pessoas implicadas na sua educação

7.1. Convém despertar-lhe o interesse com um estímulo suficiente, já que gosta de aprender.

7.2. É a idade óptima para o uso de material gráfico, e meios audiovisuais, o que é um meio eficaz para a sua educação e formação.

7.3. Convém dedicar tempo às actividades ao ar livre.

7.4. Os pais hão-de manter elasticidade nas suas exigências (especialmente aos 10 anos); devem dar conta de que a criança desempenha melhor o trabalho, quando o realiza junto a um adulto compreensivo.

7.5. As raparigas em geral, pelas suas características psicológicas, refugiam-se no seu mundo interior e requerem maior perspicácia e penetração por parte dos pais e educadores.

7.6. As relações com os outros passam por diferentes etapas; daí que os mais velhos não devam intervir, já que resolvem as situações por si mesmas.

7.7. Convém ter confiança nelas, para fomentar o sentido de responsabilidade.

7.8. Dar-lhes oportunidade para desenvolverem actividades em grupo, e maior liberdade à medida que vão crescendo.

7.9. Havemos de manter um clima de alegria, autoridade e respeito à sua volta, fomentar a sua originalidade.

7.10. Nestas idades são sensíveis à informação social, o que não pode manter-nos alheados desta inquietação; devemos, sim, ajudá-los a organizar o seu pensamento.

7.11. Fomentar o exercício de aptidões que gozam de aprovação social serve um duplo fim: fortalece o respeito e a confiança em si mesmo, importante na adolescência, e a protecção ante possíveis transtornos de tipo social (delinquência, etc.).

7.12. Deve-se educar as crianças formando a sua personalidade para se enfrentar com o futuro e de modo que cheguem a ser o que devem ser, de forma consciente e madura.

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Bibliografia:

GESSEL, Psicologia evolutiva de 1 a 16 aflos, Ed. Paidós, Buenos Aires, 1963.

HURLOCK, Desarrolio Psicológico dei Nulo, Ed. del Castillo, Madrid, 1963.

“Nuestro Tiempo”, nº 211, Janeiro 1972. Este número é dedicado todo à adolescência.

HURLOCK, Psicologia de la adolescência, Ed. Paidós.

DEBESSE, La adolescência. Vergara. A adolescência é abordada do ponto de vista individual e social.

MORAGAS, Pedagogia familiar, Ed. Lumen, Barcelona, 1964.

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