Características psicológicas da pré-adolescência – 13 e 14 anos

PRÉ-ADOLESCÊNCIA

1. No aspecto psicológico

1.1. A adolescência supõe uma mudança rotunda na sua pessoa

1.2. Grande instabilidade, com antinomias como: alegria-tristeza, responsabilidade-inconsciência, timidez-audácia, solidão-afecto, passando de umas a outras com grande facilidade.

1.3. Por isso manifesta em algumas ocasiões reacções imprevisíveis.

1.4. Precisa de conselho, mas foge dele. “Quase todos os adolescentes se revoltam contra as proibições da família, mostram-se ansiosos e indecisos, perturbados e com falta de confiança neles próprios, procuram a segurança que lhes dá o grupo de indivíduos da mesma idade , tendem ao snobismo e a excluir os que não são membros do grupo. Anseiam pela aprovação daqueles que são mais velhos do que eles”.

1.5. A sua conduta mostra-se por vezes agressiva.

1.6. É pouco efusiva com a família, mas sofre, no entanto, uma intensificação da sua capacidade afectiva, parecendo que o seu coração se esponja.

1.7. É altruísta e pode comprometer-se em mil objectivos diferentes.

1.8. Possui um grande afã de independência, que conduz à separação do adolescente daqueles que exerceram algum domínio sobre ele.

1.9. Brusquidão e rebeldia perante toda a limitação e travagem.

1.10. Tendência a destacar a sua personalidade perante os outros, não pelo cultivo de qualidades mas pela imitação de personagens famosas, companheiros ou professores que possuem as qualidades que ela gostaria de ter.

1.11. Adopta atitudes extravagantes, é excêntrica no vestir; tudo isto são modos de chamar a atenção, juntamente com formas anti-sociais de conduta.

1.12. Manifesta falta de inclinação pelo trabalho.

1.13. Deseja o convívio com os adultos com antagonismo em relação à família, amigos e sociedade em geral.

1.14. Sentimentos de auto-importância; enfrenta-se em igualdade física relativamente aos mais velhos, esperando que lhe concedam os privilégios e direitos que eles têm.

1.15. Tem uma confusa desordem de impressões, imagens e novos sentimentos, pois recebe cada dia múltiplas impressões e tem que aprender um maior numero de coisas pela sua própria conta, o que lhe é difícil.

1.16. Esconde os complexos de inferioridade, ignorância e insegurança que às vezes tem com reacções de desembaraço, altivez ou timidez, com o que pretende sobrevalorizar-se perante os seus semelhantes e atrair a sua atenção.

1.17. É a fase do nascimento da intimidade.

1.18. Na amizade há uma grande variabilidade; são pouco duradouros os laços amistosos, apesar de precisar das amizades.

2. Atitude das pessoas implicadas na sua educação

2.1. O adolescente precisa especialmente de compreensão e carinho à sua volta, aceitação da idade crítica em que se encontra e ajuda para se aceitar e se compreender a si próprio.

2.2. Precisa de motivação: convém procurar as mínimas ocasiões para lhe estimular o desenvolvimento espiritual, intelectual e emocional.

2.3. Convém fazê-lo sentir-se responsável, ainda que para o ser cometa erros e enganos. É a melhor idade para adquirir o sentido da responsabilidade.

2.4. Precisa de orientação ou direcção: temos de lhe proporcionar meios adequados para satisfazer rectamente as necessidades iniludíveis.

2.5. À luz da maturidade, perecem-nos claros e às vezes absurdos os seus problemas, porque os sabemos considerar objectivamente, coisa que o adolescente não consegue fazer. Daí a importância de nos pormos no seu lugar e de não julgarmos ou não compararmos os seus problemas aos nossos, sob o nosso ponto de vista, porque ao fazê-lo simplificamo-los e não os consideramos como os grandes problemas que são para ele.

2.6. Temos de o ajudar a formar a sua personalidade, a ser livre, num clima de compreensão, amor, sacrifício, comunidade de bens e solução das necessidades dentro da família. Esta tem uma grande força para o conseguir.

2.7. Ajudá-lo a integrar-se na vida e no ambiente social que o rodeia. Chegar a educá-lo integralmente.

2.8. Convém que o adolescente possa pôr as suas dúvidas, de qualquer género, a alguém que não se escandalize sem motivo suficiente, que admita que as coisas acontecem por inadvertência ou falta de experiência, sem porém permitir que volte a repetir-se aquilo que não está de acordo com as leis morais ou da sociedade.

2.9. Temos de facilitar o clima propício para a sua auto-estima, autonomia, integração e transcendência, através da sua própria experiência; assim, ajudaremos o adolescente a dar sentido à sua vida e a conquistar a sua própria maturidade.

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Bibliografia:

GESSEL, Psicologia evolutiva de 1 a 16 aflos, Ed. Paidós, Buenos Aires, 1963.

HURLOCK, Desarrolio Psicológico dei Nulo, Ed. del Castillo, Madrid, 1963.

“Nuestro Tiempo”, nº 211, Janeiro 1972. Este número é dedicado todo à adolescência.

HURLOCK, Psicologia de la adolescência, Ed. Paidós.

DEBESSE, La adolescência. Vergara. A adolescência é abordada do ponto de vista individual e social.

MORAGAS, Pedagogia familiar, Ed. Lumen, Barcelona, 1964.

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