O natural é que se a relação foi a dois a (eventual) concepção seja também a dois. Ligada à concepção vem uma série de efeitos secundários (enjoos, vómitos, sono, prostração, riscos, análises, ecografias, consultas, parto, noites de vigília, etc). Se o casal gozou a dois deve enfrentar tudo isto a dois. A forma tradicional de o fazer é o casamento. É no casamento que o amparo da mulher grávida cabe ao marido. Antes do casamento, o amparo acaba na família da rapariga (pais, irmãos, avós, etc). Logo, as relações pré-matrimoniais são justamente condenadas pela família porque se coloca o risco (normalmente grave) do gozo ser do rapaz e o prejuízo ser da família. No fundo, a rapariga, os pais e os familiares em geral (para além do filho), vão pagar durante anos o gozo (e a deslealdade) de um rapaz estranho. Se as famílias têm que ser firmes no apoio à filha, engravidada e abandonada, proporcionalmente mais firmes têm de ser na verberação de comportamentos irresponsáveis que acabarão a colocar todo o peso das consequências na família. Quem goza é o rapaz mas quem paga é a família da rapariga. A menos que a rapariga seja completamente independente e viva sozinha no mundo (situação académica), nenhuma rapariga tem o direito de colocar unilateralmente uma carga bem pesada sobre os seus familiares. As famílias têm o direito de exigir que se os namorados andam a gozar a dois então façam a dois as despesas resultantes. E a forma de o garantir é o casamento.

(João Soares)