Uma boa forma de colocar as relações pré-matrimoniais em perspectiva é olhar para a… morte. Imagine-se perante o cadáver do seu cônjuge. Que pensamentos tem: recorda os orgasmos que ele lhe proporcionou? Ou antes recorda os seus sinais de generosidade, de carinho, a sua alegria, tudo que fez por si, as virtudes que tinha, a habitualidade em comum, as refeições, as brincadeiras com os filhos, o convívio, etc? Ou seja, recorda-se o que a pessoa tinha de mais humano ou o que tinha de mais sensual? Quando uma pessoa bate de frente na realidade, e a morte é a melhor forma de acordar os distraídos, os orgasmos ficam imediatamente colocados no seu sítio, reduzidos à sua insignificância: no quadro das relações entre o casal, os orgasmos são das últimas coisas a lembrar, se é que se recordam de todo. O cinema é irreal, de festivais mirabolantes com actores que afinal não conseguem manter os seus casamentos muito tempo. A vida é real, e na realidade, nem os orgasmos se aproximam remotamente dos do cinema, nem o seu valor supera o prazer de se viver com uma pessoa generosa, alegre, bem humorada, diligente, trabalhadora, ordenada, etc. No final, por muitas voltas que se possa dar à sexualidade, as pessoas desejam encontrar no cônjuge as qualidades humanas mais elevadas; e estas são as mais elevadas por serem as mais queridas e desejadas! Nunca a perfomance sexual foi considerada a qualidade humana mais elevada. E o namoro serve para isso: para ver e promover as qualidades humanas, aquilo que se vai recordar na morte…

(João Soares)