O sexo entre adolescentes é perigoso para a saúde física e psicológica

O professor Bradley Hayton foi chamado a depor, sobre relações pré-matrimoniais, na United States House of Representatives, em 18 de Junho de 1991. Segue-se uma parte do seu depoimento:
O sexo entre adolescentes, especialmente aos 15 anos ou antes, é especialmente perigoso para a saúde física e psicológica. Vários investigadores encontraram altas correlações entre as experiências sexuais precoces e o consumo de álcool e drogas. Relacionou-se a experiência sexual precoce com o consumo de tabaco, com delitos menores e com as dificuldades de aprendizagem. As raparigas que já perderam a virgindade são seis vezes mais propensas a tentativas de suicídio, e correm maior risco de se sentirem sós, sentirem-se tristes, ter dificuldades para adormecer e experimentam também uma baixa auto-estima.
1. As mulheres que iniciam a actividade sexual antes dos vinte anos e que tiveram relações com três ou mais parceiros, ou que tiveram relações com um homem que teve três ou mais parceiras, correm um alto risco de desenvolver cancro do colo do útero por volta dos trinta anos (9).
Quanto mais jovem é a mulher que tem relações, maior é o risco de desenvolver cancro do colo do útero. Especialmente perigosas são as relações antes dos vinte e um anos. Demonstrou-se também que o risco de anormalidades do colo do útero aumenta com o número de parceiros sexuais (10).
Segundo um estudo da Universidade de Oxford, se a jovem, para além das relações sexuais, estiver também a tomar a pílula, o risco de desenvolver cancro do colo do útero é ainda maior (11).
2. Os adolescentes estão mais sujeitos aos danos das doenças sexualmente transmissíveis porque têm menos anti-corpos que os adultos. E a única forma de estar livre destas doenças é a relação monogâmica fiel, própria do casamento. Nenhuma namorada pode saber, antes de casar, que está numa relação monogâmica fiel… porque ignora se dentro de um mês ainda estará com o actual namorado.
3. Há uma ligação estreita entre as relações pré-matrimoniais e o aborto. A rapariga e o rapaz que têm bem claro o horror do aborto, são muito mais firmes na rejeição das relações. Há que dizer que muitos rapazes, quando postos perante a possibilidade, dizem que, se ocorrer a gravidez, então casarão. Como é evidente, cabe-lhes esclarecer porque não casam já. Se podem casar, porque o não fazem? E se não podem, porque prometem o que não poderão cumprir? Os grupos pró-vida têm milhares de testemunhos de raparigas grávidas abandonadas pelos namorados, um dia depois destes terem prometido amor eterno. A ligação entre aborto e relações pré-matrimoniais também funciona ao contrário: 80% dos bebés abortados no Ocidente são gerados fora do matrimónio. Portanto, e voltando ao início, se as pessoas tivessem consciência de que o aborto mata um bebé, um filho, ser-lhe-iam mais avessas e consequentemente fugiriam das situações de risco.
4. Convém ainda assinalar que por trás das relações pré-matrimoniais está já uma desordem. Segundo Viktor Frankl,
“O problema do nosso tempo é que as pessoas estão cativas de um sentimento de falta de sentido, acompanhado por um sentimento de vazio. A sociedade industrial está preparada para satisfazer todas as nossas necessidades e a sociedade de consumo cria necessidades que depois satisfaz. Contudo, a mais humana das necessidades, a necessidade de encontrar o sentido da vida, permanece insatisfeita. As pessoas podem ter muito com que viver mas frequentemente não têm nada por que viver.” (12)
O resultado desta ausência de sentido para a vida são um número trágico de suicídios (13), consumo de drogas, doenças venéreas, etc. Segundo o Instituto Alan Guttmacher, todos os anos se produzem 12 milhões de novos contágios de doenças venéreas, sendo que dois terços destes afectam jovens com menos de 25 anos (14).
5. Convém ainda assinalar que quando os jovens carecem do amor incondicional dos seus pais, normalmente vão procurá-lo na primeira pessoa que lhes presta um pouco de atenção. A muitos adolescentes falta uma atitude positiva relativamente ao futuro porque carecem da experiência de um amor incondicional, o que por vezes é agravado pelo facto de viverem em famílias mono-parentais ou com famílias de segundos casamentos, etc. Nestas circunstâncias, o carinho e a atenção que sentem no namoro ultrapassa qualquer experiência anterior e nada parece demais para oferecer a quem lhes revelou uma realidade tão nova quanto deliciosa. Mas esta realidade nova, e sobretudo o medo de a perder, tornam a posição negocial da pessoa muito frágil pelo que, com as pressões do ambiente, facilmente cai nas relações sexuais. Armand Nicholi, professor de Harvard, traça o seguinte quadro:
“Muitos dos que têm trabalhado com adolescentes durante a última década deram-se conta de que a nova liberdade sexual não leva de nenhuma maneira a um maior prazer, liberdade e abertura, ou a relações mais profundas entre os sexos. A experiência clínica mostra que a nova permissividade leva com frequência a relações vazias, a sentimentos de autodesprezo e de não valer nada, a uma epidemia de doenças venéreas e a um grande aumento de gravidezes indesejadas. Tem-se visto que os estudantes acham que a liberdade sexual é insatisfatória e sem sentido. Ainda que o seu comportamento sexual pareça ser uma tentativa desesperada para superar uma solidão profunda, estes adolescentes descrevem as suas relações sexuais como pouco satisfatórias e afirmam que não lhes proporcionam o calor emocional que esperavam. Descrevem um intenso sentimento de culpa e uma preocupação permanente por estarem a ser utilizados como objectos sexuais. (15)”

(9). The New York Times, 15 de Março de 1984.
(10). Jane and Julian Chomet, Cervical Cancer, Wellingbourgh UK, Thorsons Publishing Group, 1989.
(11). The Lancet, nº8356, 22 Outubro 1983, pp 930-934.
(12). Viktor Frankl, The meaning of love, Ninth International Congress for the Family (Paris, Fayard, 1987), p. 39.
(13). O suicídio é a segunda causa de morte nos jovens entre os 15 e os 19 anos nos EUA.
(14). Facts in Brief, Alan Guttmacher Istitute, Spt 1993.
(15). Armand Nicholi, The Adolescent, Family of the Americas Foundation, 1984, pp.4-5. Também, The Harvard Guide to Modern Psychiatry (Cambridge, 1980), p.530.

(João Soares)