Só uma mãe sabe

Uma relação entre mãe e filha torna-se mais robusta quando a segunda se converte também em mãe.

Passados os anos de adolescência e juventude, a filha casa-se, e por fim chega o anúncio de que o primeiro bebé vem a caminho.

Vómitos, desmaios e náuseas fizeram a sua aparição. Então telefonou à sua mãe:

– Também tu tiveste estes sintomas?

– É claro que sim. E, ainda por cima, um dia desmaiei.

– Pois então, mãezinha…! Amo-te ainda mais do antes!

Chegou o dia do parto. A jovem mãe tinha-se mentalmente preparado para esse acto. A grande alegria do nascimento iluminou o seu rosto, todavia a dor foi inevitável. Chamou novamente pela sua mãe:

– Sentiste todas as dores, ou tiveste anestesia?

– O meu primeiro parto foi sem anestesia e sem ajuda psicológica. Conheci a dor intensa e a alegria infinita desse momento mágico.

– Pois então, mãezinha…! Amo-te ainda mais do antes!

Passada uma temporada, a bebé adoece. Os ainda recentes pais correm com ela para o Hospital pedindo urgentemente por ajuda e por um milagre. É observada pelos médicos, que lhe diagnosticam uma desidratação. A menina deveria permanecer toda a noite no Hospital, em observação, e seria encaminhada para lhe ser administrado soro.

Foi tudo aceite pelos pais, cujo único desejo era vê-la curada. As enfermeiras, quando chegaram ao quarto, pretenderam “amarrar” a menina. A mãe rogou que não o fizessem, pois não suportaria ver a sua bebé naquele estado.

Foi então informada de que era esse o procedimento natural para que a menina não conseguisse libertar-se da agulha através da qual assimilava o soro. A jovem mãe prometeu então vigiá-la durante toda a noite.

Assim o fez. Toda uma noite de vigília, observando aquela que era um pedaço de si mesma, orando e oferecendo a sua própria vida em troca da saúde daquela que era o seu grande amor.

Naturalmente, na manhã seguinte fez a óbvia chamada telefónica à sua própria mãe:

– Mãezinha, alguma vez passaste a noite de vigia, por mim?

– É claro que sim, e mais do que uma vez.

– Pois então, mãezinha…! Amo-te ainda mais do antes!

– Minha filha, lá estás tu de novo….

Aquela resposta deixou gelada a jovem mãe. Pôde então perceber que apenas vislumbrava a dor indescritível que o amor aos filhos pode gerar. Como que num remoinho, passaram por ela mil imagens do que a esperava no futuro da sua filha, e um aglomerado de recordações da sua própria infância, nas quais aparecia tantas vezes a sua mãe, vigiando, estudando, dialogando, abraçando, jogando e chorando por ela.

Descobria numa ínfima parte o grande amor que apenas começava a professar por quem até à data valorizava tanto.

Só as mães sabem o que significa amar um filho. Somente o coração de uma mãe pode enfrentar qualquer tormenta sem se amedrontar pela distância dos filhos, a falta de consciência, de agradecimento por essa entrega incondicional.

E é também esse coração de mãe que faz brotar lágrimas dos seus olhos perante o mais simples gesto amoroso oferecido pelos seus filhos num Dia da Mãe.

Lupita Venegas

Mujer Nueva

Tradução, para a Aldeia, de António Limão