O Apático

Características: não-emotivo, inactivo, secundário.

Finge bastante bem possuir uma riqueza interior que na verdade lhe falta por completo.

Na puberdade, é sujeito a reacções de semi-oposição (fugas, pequenos furtos, mentiras). É preguiçoso: falta-lhe tensão e força psicológica, é desconfiado, guarda rancores profundos, obstinado. Revela princípios; é bom economizador.

Diverte-se pouco, responde pouco, mantém silêncios prolongados. No tempo livre, isola-se ou anda de grupo em grupo, sem parar em nenhum. É talvez o temperamento mais falso de todos. Faltam-lhe os recursos da energia. Não se interessa nem pelos companheiros nem por si próprio. Vive na “moleza” e passivamente. É o menos loquaz dos da sua idade. Fechado em si próprio, reservado, de humor instável, sente prazer na solidão e tem uma docilidade apenas aparente; interiormente não aceita nada. Não se inclina a compadecer-se: é de uma hostilidade fria e dissimulada.

Modo de tratar: utilizar métodos e procedimentos activos; neste sentido, é óptimo interessá-lo num trabalho de grupo. Integrá-lo num ambiente social compreensivo e vivificante. Obrigá-lo a sair de si mesmo para dedicar-se aos outros; cultivar-lhe desde cedo as virtudes altruístas; atrair frequentemente o seu interesse. Para torná-lo mais activo, despertar-lhe a atenção para as satisfações que acompanham o esforço pessoal, e situar este esforço na altura das suas possibilidades, ressaltando depois os resultados conseguidos; tirá-lo da rotina do automatismo, de modo a alcançar um comportamento autónomo e deliberado.

Na vida espiritual, impedir que renuncie aos valores muito altos e se detenha nos desejos pessoais mais imediatos. Elevar o nível das suas aspirações, propondo-lhe gradualmente novos objectivos e ideais a conseguir.

“Conhecer o temperamento dos filhos”

(Anna Maria Costa, in “Conheça seu filho”, 3ª edição, Quadrante, São Paulo, 1995″)